Crítica – O que Azul É a Cor Mais Quente tem a ver com Festim Diabólico

Maira Reis

Quando fui assistir “Blue Jasmine”, vi um trailer de um filme que me chamou a atenção. O vídeo retratava poucas cenas editadas da premiada obra “Azul É a Cor Mais Quente”. Prometi-me que iria assisti-la assim que tivesse disponível nas salas de cinema. Durante a semana passada, fiquei sabendo que o Azul entraria em cartaz neste último final de semana em São Paulo.

azul é a cor mais quente - cena do filme

No último sábado, dia 08 de novembro, na última sessão comprei os últimos dois ingressos para ver “Azul É Cor Mais Quente”, no Reserva Cultural. Foram quase três horas de um filme que retratou fielmente o universo das mulheres que se relacionam com mulheres. Além disso, obra é interessante pelo movimento das câmeras e os closes que o diretor deve ter executado para colocar o expectador como terceiro elemento no filme.

Outro ponto forte do filme são as duas atrizes principais, que apesar de terem pouca idade, conseguiram transmitir uma intensidade e impacto original para “Azul É a Cor Mais Quente”.  Saí do filme com a sensação de querer assisti-lo novamente para prestar atenção nos detalhes, pois há também muitos diálogos sutis e que reforçam ainda mais a qualidade da película cinematográfica.

Ainda tentando analisar “Azul É a Cor Mais Quente”, no domingo, em casa, resolvi assistir a outro filme.  Entre as poucas opções que tínhamos à disposição, acabei aleatoriamente escolhendo “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock. Que filmão! É interessante notar como o diretor fez para gravá-lo em sequência, só o cortando para emendar os rolos de filmes – que dá a sensação dele estar escondendo um segredo de você, ao posicionar a câmera nas costas dos personagens, para logo em seguida apresentar a surpresa, quando os rolos estão emendados.

festim diabólico

Achei também muito interessante fazer um filme em que você parece estar assistindo a uma peça de teatro. Outro ponto importante é que o roteiro é baseado na teoria de Friedrich Nietzsche sobre a supremacia do homem nobre. Ao terminar o filme, resolvi assistir o making of da obra e tive uma surpresa: foi apresentado que os personagens principais do filme são gays, mas não é uma informação que fica explícita para quem assisti ao “Festim Diabólico”. Com isto, mesmo tendo visto dois filmes de épocas diferentes, com diretores que trabalham de forma totalmente opostos e linguagens totalmente antagônicas, tive o contato com duas obras intensas (recomendo também assistir a ambas!) e que apresentam o universo LGBT.

O fato mais impactante que descobri referentes à Azul e Festim é que colocam os gays e as lésbicas sem terem uma narrativa estereotipada, chata, cansativa e entediante. Festim você se prende nos diálogos e Azul nos movimentos de câmeras. Por isto, são filmes marcantes e que com certeza não são para esquecê-los e vêlos só uma vez!

Imagens: Divulgação.